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Como pesquisar passagem com IA sem cair na opção mais cara

Daniel Turbox6 min de leitura
Como pesquisar passagem com IA sem cair na opção mais cara

Para pesquisar passagem com IA sem cair na opção mais cara, dê o teto de preço em número. Em vez de “a mais barata”, escreva até quanto o cliente paga por pessoa e o que entra no valor. Foi o que funcionou melhor num estudo com 325 mil testes.

Resumo rápido

  • Num estudo da Cisco com a Carnegie Mellon, 8 de 13 agentes de IA recomendaram opções mais caras para perfis que pareciam ter mais dinheiro, com o mesmo pedido.
  • Pedir “o mais barato” nem sempre resolveu. Um limite de preço em número funcionou melhor.
  • Na agência: teto em reais por pessoa, o que entra no valor, a opção mais barata na lista e conferência no sistema antes de mandar ao cliente.

O que o estudo descobriu sobre agentes de IA e preço?

Descobriu que o agente pode puxar a recomendação para cima quando acha que você tem dinheiro. Pesquisadores da Cisco e da Carnegie Mellon testaram 13 agentes de IA como assistentes de compra, em 325 mil experimentos. Três tipos de decisão: passagem aérea, plano de saúde e programa de pós-graduação. O pedido era sempre o mesmo. O que mudava era o perfil de quem pedia.

Oito dos 13 recomendaram opções mais caras para os perfis que pareciam mais ricos. Ninguém pediu para levar a renda em conta. O agente fez isso sozinho, inclusive quando só tinha e-mails sem relação com a compra para tirar a conclusão.

Envelopes abertos com extratos e gráficos ao lado de um notebook com a caixa de e-mail aberta, as pistas que o agente de IA usou para deduzir a renda

O exemplo que abre o estudo é de passagem. O pedido: o voo mais barato para Chicago. Sem ler os e-mails, o agente trouxe uma passagem econômica de US$ 91. Lendo, achou três e-mails sobre finanças, concluiu que aquela pessoa pagaria mais e recomendou uma executiva de US$ 601. A passagem de US$ 91 continuava disponível.

Um cuidado antes de seguir: é um pré-print, com perfis fictícios e catálogos montados pelos pesquisadores. Não houve cliente real. Mesmo assim, o padrão apareceu em quatro famílias de modelos diferentes, e foi isso que me fez parar para olhar com calma.

Por que pedir “o mais barato” não basta?

Porque, para a IA, “barato” pode ser relativo. Os próprios autores levantam essa hipótese: depois de montar um retrato do usuário, o agente pode entender “o mais barato” como o mais barato entre o que ele acha que aquela pessoa pode pagar com folga.

Os números mostram o tamanho disso. Em um dos modelos testados, quem parecia rico pediu o voo mais barato e recebeu, em média, opções US$ 208 mais caras do que quem parecia ter pouco dinheiro. Mesmo pedido, palavra por palavra. Em outros modelos, a diferença com esse pedido foi bem menor.

Ou seja: às vezes funciona, às vezes não. E você não sabe de antemão qual vai ser.

Tem um detalhe que me incomoda mais do que o valor. Na maior parte dos casos, o agente simplesmente entregou a opção mais cara, sem avisar que existia uma mais barata. Se ninguém conferir, a cotação chega ao cliente com cara de “foi o melhor que eu achei”.

Como escrever o teto de preço no pedido para a IA?

Com um número, e não com um adjetivo. No teste de passagem do estudo, o pedido com limite era “abaixo de US$ 200”. Com ele, a diferença entre os perfis caiu para perto de zero na maioria dos modelos mais capazes. Não em todos, e por isso a conferência continua sendo sua.

Na agência, eu montaria o pedido com quatro peças:

  • O teto, em reais e por pessoa. “Até R$ [valor] por pessoa” é diferente de “barato” e diferente de “até R$ [valor] no total”.
  • O que entra no valor. Ida e volta, bagagem despachada, taxas. Sem isso, a IA compara preços que não são comparáveis.
  • As condições que não mudam. Datas, aeroporto de saída, número de paradas que o cliente aceita.
  • A lista, não só a recomendação. Peça as opções dentro do teto, da mais barata para a mais cara, e a mais barata que ela encontrou, mesmo que recomende outra.

Na prática, o pedido fica parecido com isto: “Procure voos de São Paulo para Lisboa, ida e volta, saindo na primeira quinzena de março, com uma mala despachada, até R$ [valor] por pessoa com taxas. Liste as opções dentro desse valor, da mais barata para a mais cara, e me diga qual foi a mais barata que você encontrou.”

Repare que o pedido não fala nada sobre o cliente. Fala sobre a viagem e sobre o limite.

Assento de classe executiva vazio com uma etiqueta de preço em branco pendurada no braço, a opção mais cara que o agente de IA recomendou

O contexto do cliente atrapalha a pesquisa de tarifa?

Pode atrapalhar, se o preço ficar por conta da dedução da IA. Eu defendo dar contexto para a inteligência artificial. Quem viaja, o ritmo, o que marcou a última viagem: isso muda um roteiro de verdade. Escrevi sobre isso no texto dos 5 Cs do agente do futuro, na parte do contexto como o iceberg embaixo do prompt. O estudo não contradiz essa ideia. Ele mostra onde o contexto pode puxar para o lado errado.

Quando a ferramenta lê e-mails, histórico ou perfil, ela tira conclusões que ninguém pediu. No estudo, esconder as informações financeiras reduziu bastante a diferença. Esconder outras, como emprego ou bairro, não resolveu e às vezes até aumentou, porque o agente achava a pista em outro lugar.

A minha leitura para o agente de viagens é esta: contexto serve para entender o cliente. Quanto ele quer gastar, quem diz é ele. E quando ele disser, isso entra no pedido como número.

O que conferir antes de mandar a cotação ao cliente?

Quatro coisas, e a IA não faz nenhuma delas por você. Ela acelera a pesquisa, mas a cotação continua sendo da agência. Antes de mandar, eu conferiria:

  • Se todas as opções estão dentro do teto que o cliente deu.
  • Se a mais barata da lista existe mesmo, no seu sistema ou no site da companhia.
  • Se o valor inclui o que foi combinado: ida e volta, bagagem e taxas.
  • Se a recomendação veio com motivo. Quando a IA sugerir algo acima do teto, ela precisa dizer por quê. E quem decide é o cliente.

Parece muito para uma busca de passagem. Na prática, é uma linha a mais no pedido e dois minutos de conferência. Bem menos do que explicar para o cliente por que a cotação veio cara.

Perguntas frequentes

Os agentes de IA cobram mais caro de quem tem dinheiro?

No estudo, o preço de cada opção era fixo. O que mudou foi a recomendação: 8 de 13 agentes apontaram opções mais caras para perfis que pareciam ricos, com o mesmo pedido.

Pedir “a passagem mais barata” funciona?

Às vezes. Em alguns modelos, a diferença entre perfis quase sumiu com esse pedido. Em um deles, ficou em US$ 208, em média. Um teto de preço em número funcionou melhor.

O estudo foi feito com clientes reais?

Não. É um pré-print publicado no arXiv, com perfis fictícios e catálogos de opções montados pelos pesquisadores, todos nos Estados Unidos. O padrão apareceu em quatro famílias de modelos, mas ainda precisa ser testado com gente de verdade.

Devo parar de dar contexto do cliente para a IA?

Não. Contexto melhora roteiro e atendimento. Para preço, coloque o limite em número e confira as opções antes de mandar ao cliente.

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